sábado, 14 de abril de 2018

Tão Macabéa.
Aos inversos
pele descolorida
sem vida
Tão Macabéa
desvalida
Anda pelas ruas
queria usar batom
chinelos de borracha
quase arrasta pos pés quando anda.
Parece Atlas carregando o mundo
não sabe quem é Atlas,
seus olhos de animal manso
sem brilho
nem perspectivas
Queria usar batom
Chega em casa, lava a louça e liga o rádio
nem gosta de música
Nunca se lembrou de gostar de quase nada,
gosta de batom
Queria um vermelho,
mas sua pele desbotada faz parecer um quadro de mal gosto,
ela não sabe de nada.
Apenas que queria usar batom.

quinta-feira, 8 de março de 2018

Tomo você
goles de submissão
entrega
Tomo você de joelhos
de olhos fechados
Chuva caindo
o dia inteiro esperando
Provocação do gozo
espero, espero
Tomo você
se desmancha inteiro na minha boca
Um cigarro
me deixa jogada na cama
Meus dedos não podem me acalmar
você diz a hora
quase imploro
Tomo você
cada gota
Minha lingua busca você

quinta-feira, 4 de janeiro de 2018

Chuva
Passos incertos
Cambaleando até
Leve
Consciente da sua inconsciência
Vento
Prazerosamente descalça
Cigarro
Olhos que dizem tudo
conforto
Mantendo a distância
Incontrolável
Se mantém em silêncio
Chuva que desce lentamente pelo rosto
Um beijo frio que arrepia
Satisfação na voz
No cheiro
Apenas vento
Na mente......nuvens de sonhos
Sonhos de braços e bocas
Chuva
Cinzenta é a sua voz
Voz que ninguém escuta
demônios
anjos
conflitos
Chuva dentro dos olhos
olhos de esmeralda
Silêncio
Camnha...chora..sorri......

quarta-feira, 3 de janeiro de 2018

De nada me servem
minha cultura,
o conhecimento.
Ilusões vaidosas
mente nublada, num misto de ódio e fuga.
De nada me servem
meus dons, os ditos talentos
Sou nada.
Poeira de estrelas unidas numa forma de átomos distorcidos.
Essas estradas tão pedregosas.
Patética.
De nada me servem os conflitos as dores da alma
apenas me reduzem
me aniquilam
uma tremenda farsa
reconhecidamente insana
dramática
O que é ser melhor?
sucumbindo no caos
a verdade cortante
machuca
Cega
Miseravelmente
De nada me servem meus amores
meus desejos
não existem
ruminando visões sombrias
Quer luz
Mas de nada serviria
minha luz está em tudo
todo esse nada
Me calo.

Na favela
as putas
a malandragem
as crianças
Nós ali
sentados
parados
sem rumo
sem nada
filsofando
besteira
de nada serve nossa inteligência
Somos menos que merda com nosso conhecimento,
párias
No meio da mais absoluta pobreza
Rimos
Ficamos loucos
no meio da mais completa merda estamos
Arrotamos nossa sabedoria
arrotamos fantasia
um monte de nada
marginais sociais
somos sombras de algo que poderíamos alcançar
preferimos a dor
os caminhos tortos
o sofrimento
tentamos até que a dor seja tão intensa que não aguentemos mais
nosso sangue
rimos
choramos
enlouquecemos
ali no meio do lixo
Somos deuses